A primeira vez que ouviu do Evangelho foi por volta dos seus 15 anos, ainda garoto, por meio de um amigo seu que se convertera. Mais tarde ouviria novamente, por volta de seu 20 anos, por meio do líder de uma antiga banda que ele tocava. Toda sua família era do Candomblé, hoje muitos já são convertidos e estão freqüentando a igreja, segundo ele mesmo conta. A primeira vez que experimentou drogas foi por volta dos 16 anos. Começou com maconha, lança-perfume, indo à cocaína, aos 25 anos. Dos 25 aos 33, foram 8 anos seguidos no vício até chegar ao fundo do poço. Na ocasião de sua conversão, após ter saído da banda Olodum, fora alvo de gracejos. “Rapaz, que maconha é essa que dá vontade de ser crente?”, diziam-lhe. Hoje ele conta que até mesmo membros dessa banda têm sido evangelizados e alguns já se converteram. Ele já teve a oportunidade de ministrar ainda outros conterrâneos seus, além do pessoal da banda Olodum onde fora membro. “A visão que nós temos é assim: a pessoa coloca o DVD no aparelho, e quando liga a televisão, Deus pula dentro da casa da pessoa”, diz ele, em risos. Na condição de ministro, aprendera a louvar a Deus bem no início de sua conversão, na sua própria casa, sozinho. “A escola do levita é louvar a Deus sozinho”, afirma. No ministério como ministro e músico, começou nos dois primeiros anos, só voz e violão. Depois veio a gravação do primeiro CD, Deus é fiel em 2000, quando passou a cantar com playback. Mais tarde viria o baixista. Desenhava-se aí o projeto da formação da banda, chegando depois o baterista e tecladista. Hoje, a banda é composta por 11 integrantes.
O que é a música para ele? Questionam muitos. A resposta na ponta da língua e nos acordes de seu violão: “Está no meu sangue. O maior presente que Deus já me deu”. Acerca de suas composições, ele também é convicto: “Cada vez que escrevo uma canção, é como se estivesse dando a luz a um filho. Eu as escrevo e só tenho a oportunidade mesmo de ‘desmamá-las’ e depois colocá-las aos pés do Senhor. Deus faz o que Ele quer”. Acerca do nascedouro dessas mesmas canções, ele também diz: “Deus às vezes me permite tristezas para arrancar de mim inspiração. Cada CD é uma fase da minha vida”. Lázaro é também querido entre as crianças a ponto de muitas delas já ter-lhe pedido que ele grave um CD infantil. Convites para ministrar no exterior são muitos. Se fosse escrever um livro, escreveria sobre sua própria vida, conta. “Me sentiria mais feliz escrevendo confissões, falando das minhas fraquezas, minhas derrotas, para que as pessoas percebam que por mais que Deus nos dê ânimo, nos levante, a gente continua sendo ser humano”.
Hoje, além de músico e ministro consagrado e reconhecido dentro e fora do País, é também pastor. Lázaro é membro da Igreja Batista Lírio dos Vales, em Salvador, do pastor Rogério Dantas, onde fora recentemente consagrado a pastor. Seu maior objetivo? “Trazer pessoas para o Reino, ser um canal de Deus para que as pessoas sintam um desejo de amá-lo, de se aproximar dele”, diz. Difícil dizer se tudo isso é em razão de outrora ter sido integrante de uma banda que sempre fora sucesso (que perdura ainda hoje) ou mesmo pela própria forma como se convertera – do anonimato a fama, e de novo no anonimato em razão do ostracismo e das drogas, de onde emergira depois converso a Cristo. À semelhança de seu homônimo bíblico, Lázaro renascera das trevas da morte para a vida. Esse é Antônio Lázaro Silva. Ou como queiram Irmão Lázaro. Em tom de encerramento, uma palavrinha dele aos conterrâneos baianos crentes e não crentes: “A música está em nós. Vamos usá-la para louvar ao nosso Deus e engrandecer o seu nome”.
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